AS MUDANÇAS NA VIDA.
IMAGEM DE INTERNET
Dentre todas as mudanças que fazemos na vida, duas são únicas, definitivas. E nos acontecem sem nossa participação ativa. Pelo menos a primeira. A segunda definitiva, pode der provocada, antecipada ou desejada. Claro que estou falando do Nascimento e da Morte.
Enquanto estamos no útero, envoltos numa placenta que tudo provê, nem imaginamos que um dia um lugar paradisíaco se tornará tão estreito, que alguma força nos expulsará, sem que tenhamos como impedir. Depois virão todas as mudanças que nos levarão à morte.
Algumas são tão lentas que nem as percebemos. Crescimento, experiências físicas e emocionais, acumulo de cultura, padrões de comportamento... Muitas delas nem consideramos mudanças.
Mudados de casa, de emprego, de estado civil, de gostos pessoais... mas raras são as que fazemos por vontade própria.
Pois eu decidi que tenho que mudar em algumas coisas. E devem ser mudanças de hábitos, principalmente. Hábitos nem sempre prazerosos, mas que achei que faziam parte da minha personalidade, de tão arraigados e automatizados que estavam. Ou melhor: ESTÃO AINDA.
O primeiro passo é fazer uma das coisas mais difíceis dos seres humanos: analisar a si mesmo. O que realmente eu quero, e, se eu quero, porque não estou fazendo? Pois é...
Depois que aquela ingrata Letícia partiu de repente, sem nem se despedir, fiquei boiando num oceano sem nenhuma vontade maior que era a de me enfiar na tela de um computador, onde pudesse ver o mundo passando, e comentar aquilo que eu via.
Ainda lembro de uma experiência tipo essa, quando, aos seis anos, fiz minha primeira longa viagem de trem. Minha avó Tereza não sabia onde por a cara de tanto que eu descrevia o mundo que passava pela janela. E lembro que o fazia com entusiasmados berros. Afinal, tudo era novidade. Casas altas, carros, estradas, aviões pousados, rios largos... tudo passando pela janela, e tão rápido que eu tinha que mostrar para todos no vagão.
Acho que essa experiência explica essa minha estranha mania de me enfiar diante da telinha e comentar tudo o que nela vejo. Até o apelido de “O Comentarista” escolhi para me apresentar nas redes sociais.
Há poucos dias criei coragem e vontade de mudar do acampamento onde vivi por quase dois anos. Fiz erguer uma casinhola, quarto e sala, com banheiro interno, e mudei para dentro, mesmo sem ter móveis e utensílios condizentes com esse “novo padrão” de morar.
Isso me levou a fazer essas reflexões que agora deixo para a posteridade como um novo capítulo de um livro que jamais terminarei de digitar.
Se depender de minha vontade, darei por encerrada a carreira de comentarista, e passarei a navegar apenas pelas páginas que deixei de lado. Aproveitarei para Ler os livros que estão na fila de espera, para ouvir as músicas que não tive tempo de ouvir, pesquisar sobre “tudo isso que está ai” e, se possível, namorar um pouco também.
Não sei se ainda lembro como é essa arte prazerosa. Mas dizem que é como andar de bicicleta. A gente nunca esquece.
Vamuvê. Por enquanto é isso que eu quero fazer. Se não conseguir, paciência. Pelo menos tentei.
